sábado, 28 de agosto de 2010

Ivan Wasth Rodrigues - A História do Brasil em Quadrinhos e o Museu dos Gibis

Na semana passada fui almoçar com o amigo Marcus Clementino (PHD, Doutor, Mestre e Admirador de quadrinhos), e nestas ocasiões sempre aproveito para levar de lembrança um exemplar de revista de história em quadrinhos. Desta vez levei os dois volumes da História do Brasil do Brasil em Quadrinhos do Ivan Wasth Rodrigues.Ainda não sei se ele conseguiu ler, mas a nossa conversa foi interessante, pois conversamos desde o meu sonho do Museu dos Gibis, sobre o mercado de seguros e resseguros e etc....Não faltou assunto, pois eu com 25 anos na mesma empresa e ele com mais tempo ainda, o que não falta são histórias para contar.
Mas vamos ao que interessa. Os exemplares que levei reforçaram mais ainda o projeto do Museu dos Gibis, pois procurei resgatar a história do Ivan Wasth Rodrigues. Anteriormente havia lido um excelente artigo que foi publicado na Revista de História da Biblioteca Nacional de autoria do Lorenzo Aldé ( em 01/03/2008), e que me emocionou, pois a falta de cuidado que os orgãos públicos dispensam a preservação da obra e da memória dos nossos artistas e nenhuma.
Reproduzo abaixo texto da excelente matéria do Lorenzo Aldé para a revista História da Biblioteca Nacional, sobre o mestre Ivan Wasth Rodrigues (o maior ilustrador de época que o Brasil já teve).

"O fim de uma era
Com a morte de Ivan Wasth Rodrigues, o Brasil fica órfão de grandes ilustradores históricos.
por Lorenzo Aldé

Ilustrar histórias em quadrinhos é para poucos. Ilustrar em quadrinhos a História, com maiúscula, nem se fale. No Brasil, este ofício era sinônimo de um único homem.

No dia 20 de dezembro de 2007, sem que o país se desse conta, morreu Ivan Wasth Rodrigues, aos 80 anos. Sobrinho e discípulo do grande pintor José Wasth Rodrigues (1881-1957), Ivan deixa como principal legado de sua vasta produção as obras-primas História do Brasil em Quadrinhos I e II (1959 e 1962) e Casa-Grande & Senzala em Quadrinhos (1981).

Cada quadrinho é uma pintura original em aquarela. E a excelência do resultado vai além da técnica. Durante mais de quatro décadas, Ivan foi um obcecado estudioso de temas históricos, para retratar o mais fielmente possível os personagens, os ambientes, a arquitetura e os costumes de todos os períodos da vida nacional.

Quem tem mais de 30 anos provavelmente retém no imaginário cenas históricas cunhadas pelo artista. Ele foi um dos ilustradores do Atlas Histórico e Geográfico Brasileiro, utilizado pelo MEC nas salas de aula nas décadas de 1960 e 70. “Ouvi mais de uma vez que o conhecimento histórico do Ivan ia bastante além do que possuíam os escritores”, lembra o artista plástico J. Bezerra, que no início da carreira cruzava o Rio de Janeiro para ir tomar lições de desenho da anatomia humana com Wasth, a quem define como “um verdadeiro sacerdote da arte, um alquimista que transcendia quando trabalhava, com esmero, cuidado, responsabilidade e amor”.

Em 2003, numa das poucas homenagens públicas que Ivan recebeu em vida, o editor Naumim Aizen atestou o mesmo: “Em determinado trecho, ele precisava colocar na ilustração a figura de Calabar, das Guerras Holandesas, de quem havia apenas fontes coevas. Pois Ivan, conscienciosamente, leu todos os documentos. E com a paciência que lhe é própria, recriou a figura de Calabar, fazendo-lhe um verdadeiro e maravilhoso retrato falado”.

Naumim era adolescente quando conheceu Ivan, na década de 1950. O pintor viera de São Paulo para morar com o tio José Wasth e com ele aprimorar sua técnica. Seu trabalho impressionou Adolfo Aizen, pai de Naumim e dono da Editora Brasil-América (Ebal), durante décadas líder na publicação de quadrinhos no país. Pela Ebal, além da História do Brasil em Quadrinhos, Ivan Wasth produziu uma versão ilustrada de O Sertanejo, de José de Alencar, que seria lançada em encarte da revista Vida Doméstica mas não chegou a ser publicada.

Naquele tempo surgiu na editora a idéia de quadrinizar o clássico Casa-Grande & Senzala, de Gilberto Freyre. Ocupado com o Atlas do MEC, Ivan não pôde assumir a missão. “Pelo menos cinco desenhistas aceitaram a incumbência e desistiram, tamanha a complexidade do trabalho”, conta Naumim. O projeto só saiu da gaveta em 1980, em comemoração aos 80 anos de Freyre. Ivan mergulhou na obra e a finalizou em seis meses, colhendo unânimes elogios pela adaptação, inclusive do próprio Gilberto Freyre.

Parte da produção de Ivan Wasth Rodrigues tem paradeiro desconhecido. “Ele não sabia cobrar, muitos o exploravam. Um dia, um padre de São Paulo esteve em nossa casa e se interessou por um conjunto de aquarelas. Ele deu de mão beijada”, lamenta Suely Jesus de Souza Surisan, viúva de Ivan. Mestre de capoeira, nos últimos quatro anos ela teve que deixar de trabalhar para cuidar da frágil saúde do marido, com quem vivia havia 25 anos. Ivan sofria do mal de Parkison e da doença de Alzheimer.

Ainda juntando os cacos do longo sofrimento e da recente perda, Suely não sabe o que fazer com as preciosidades de que se tornou guardiã. Aos poucos, começa a botar ordem no apartamento de Botafogo, o mesmo em que o velho José Wasth recebeu, há mais de meio século, seu promissor sobrinho vindo de São Paulo. Por toda parte acumulam-se pastas com aquarelas originais, muitas inéditas, dezenas de cadernos com estudos e apontamentos e uma rica biblioteca em vários idiomas. “Não tenho coragem de me desfazer das coisas dele. Pensei em doar para o Museu da República, onde ele trabalhou. Mas, entra diretor, sai diretor, não sei o que pode acontecer”, diz Suely.

Sabe-se que Ivan deixou uma obra pronta e não lançada: a adaptação ilustrada dos textos do francês André Thévet (1502-1590) sobre a França Antártica. Deixou também um desafio para a arte brasileira: produzir novos ilustradores históricos que dêem continuidade à magnífica herança dos Wasth Rodrigues".


Não é triste saber que que tão rica obra, corre o risco de não ser preservada?
Caso algum leitor tenha interesse em conhecer parte da obra do Ivan Wasth Rodrigues, tenho exemplares da História do Brasil em quadrinhos (Ebal 1979) a preço de custo (comprei em leilão um lote com mais de 30 exemplares). Os dois estão a venda por R$ 30,00 no Mercado Livre.

3 comentários:

  1. excelentes material e homenagem.

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  2. Meu nome é Paulo Raphael
    Estou muito interessado, faço uma pesquisa sobre o ensino de História do Brasil na epoca.
    Por favor, entre em contato comigo: pauloraphaelsb@gmail.com

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