domingo, 14 de fevereiro de 2016

Bem mais que Paixão! Por Raiana Collier no jornal O Fluminense em 14/02/2016!

"Matéria da Raiana Collier em 14/02/2016 no Jornal o Fluminense!"

Bem mais que paixão






Adeptos do colecionismo, eles contam, e exibem
com orgulho, suas diversas conquistas

Marcelo Hirschmann administra um grupo nas redes sociais para discussão sobre 

carrinhos em miniatura, seu verdadeiro hobby

Foto: Plis Nimus




A história conta que Pedro Álvares Cabral pisou pela primeira vez em terras brasileiras em 1500. Setenta e dois anos separam a descoberta do Brasil pelos portugueses da primeira coleção de que se tem notícia. Na época, Ulisse Aldrovandi colecionava objetos derivados da natureza, que os visitantes levavam para Bolonha, sua terra natal. Mais de 400 anos separam esse primeiro registro da prática do colecionismo, que hoje ultrapassa os limites de itens simples, como os chifres estranhos que o italiano precursor da prática acumulava, e chega às coleções de vários outros objetos. 
Aos 40 anos Marcelo Hirschmann já fez de tudo um pouco. Já teve uma editora de livros, trabalhou como mecânico, tem experiência em agências de publicidade, e hoje, além de fazer e vender pizzas, ele tem uma década de experiência como colecionador de carrinhos. Sua história no colecionismo das miniaturas da Hot Wheels começou quando, ao comprar um presente para o filho, se surpreendeu ao descobrir que os carrinhos que marcaram sua infância ainda eram vendidos.  
“Na época meu filho queria os carros mais exóticos, que eu detestava. Por exemplo, um deles em formato de privada que eu tenho até hoje, nunca daria para ele. Mas quando você vai conhecendo a história do carro, quem criou, começa a achar mais legal”, esclarece Hirschmann. 
A paixão pelos carrinhos foi crescendo, ele foi se envolvendo com grupos de pessoas que também têm o colecionismo desse tipo de miniatura como hobby, e agora é o dono da Clube Hot Wheels Brasil – um grupo no Facebook para discussão sobre os carrinhos em miniaturas com mais de 17 mil integrantes. Por lá acontecem práticas clássicas entre os colecionadores: é um espaço para que eles busquem aprender mais sobre seu objeto de interesse e exibam seus carrinhos a quem sabe apreciá-los. Além de colecionar e mediar conversas entre aficionados pelas miniaturas, Hirschmann também customiza os carrinhos, que são vendidos em uma loja virtual. Apesar da coleção impressionar pelo tamanho, ele conta que ela já foi bem maior. 

Os diversos bonecos da coleção de Miguel Carino já são parte integrante da decoração do escritório

Foto: Arquivo pessoal
“Eu já tive o meu pico de vício. Teve um dia em que eu dei um basta. Tinha comprado um lote e quando o material chegou, bateu um sentimento estranho que nem eu sabia o que era. Eu tinha o dobro do que tenho hoje. Aí, quando eu me mudei, fiquei pensando o que eu ia fazer com aquilo tudo. Um amigo me contou que a lógica dele era: entra um item, sai um item, e foi o que comecei a fazer”, explica. 
Aos 36 anos,  Marcelo Tavares é o maior colecionador de videogames no Brasil. Ele é também o idealizador da Brasil Games Show, a maior feira de games da América Latina. Então, já deu para perceber: se é para falar de quantidade, é com ele mesmo. O que começou há cerca de 30 anos como uma brincadeira, para o hoje especialista em jogos eletrônicos, atualmente é um estilo de vida. 
“Eu já tive o meu pico de vício. Teve um dia em que eu dei um basta. Tinha comprado um lote e quando o material chegou, bateu um sentimento estranho que nem eu sabia o que era. Eu tinha o dobro do que tenho hoje. Aí, quando eu me mudei, fiquei pensando o que eu ia fazer com aquilo tudo. Um amigo me contou que a lógica dele era: entra um item, sai um item, e foi o que comecei a fazer”, explica. 
Aos 36 anos,  Marcelo Tavares é o maior colecionador de videogames no Brasil. Ele é também o idealizador da Brasil Games Show, a maior feira de games da América Latina. Então, já deu para perceber: se é para falar de quantidade, é com ele mesmo. O que começou há cerca de 30 anos como uma brincadeira, para o hoje especialista em jogos eletrônicos, atualmente é um estilo de vida. 
“Por isso eu focava nos videogames portáteis. Quando saí da casa dos meus pais, passei a dedicar um cômodo do lugar onde eu morava só para os videogames”, lembra.  
O jornalista Felipe Vinha, 31, é um colecionador nato: tem jogos de tabuleiro, ingressos de cinema e quadrinhos. Mas dedica-se mesmo à coleção de itens inspirados em seriados japoneses. São bonecos, espadas e cintos. Uma paixão que vem desde a infância.  “Desde pequeno assisto esse tipo de programa, mas quando somos mais jovens, nem sempre nossos pais têm grana para comprar brinquedos de coleção. Mais velho, quando fui morar sozinho, comecei a ter mais espaço. Então passei a colecionar para deixar os itens expostos em casa”, orgulha-se.  

Marcelo Tavares: sua coleção hoje tem mais de 350 consoles e mais de três mil jogos. Além disso, ele é o idealizador da Brasil Games Show, maior feira do segmento

Foto: Júlio Silva
Entre os mais de 60 itens da coleção, o cinto do Kamen Rider Kabuto, do seriado Kamen Rider, é o predileto. E tem que ser mesmo, afinal, o mimo custou R$ 700. A compra desse tipo de item caro foi o máximo de problema que Felipe já arrumou por conta do colecionismo. “Em alguns momentos, comprei coisas bem caras e acabei ficando sem dinheiro para o mês seguinte. Mas nada muito grave. O cinto é uma réplica exata em tamanho e material do que o personagem usa no seriado. Ele foi vendido em edição limitada”, explica. 
Recentemente Felipe se mudou do apartamento onde morava para um maior. O que representa mais espaço para guardar seus itens de colecionador. “Eu não me vejo parando tão cedo. Sei que a casa tem um espaço limitado, mas a gente vai se arrumando. Minha noiva só não gosta dos valores que eu acabo gastando, mas fora isso, não me condena. Meus pais até achavam besteira, mas hoje já não esquentam mais”, conta. 
Aos 51 anos, o contador Ranieri Andrade é um figurão do colecionismo de gibis no Rio de Janeiro. O interesse pelos quadrinhos surgiu também na infância, quando morava no Espírito Santo. Na época morava próximo a uma banca de jornais, onde ele “batia ponto” todos os dias. Ao longo dos anos, o que era um hobby acabou evoluindo, e, durante um curso de pós-graduação, criou o Museu dos Gibis, uma plataforma on-line em que antiguidades como o Gibi de São João, de 1942, são expostos. No acervo, que hoje passa de 60 mil exemplares, destacam-se edições bem antigas e que figuram entre seus gibis preferidos. 
“Gosto muito do Ken Parker (personagem de faroeste italiano), que é conhecido entre os fãs como o herói humano. Quem lê um dos exemplares da coleção quer ler todo o restante da obra. É uma obra única! Gosto também das edições dos primórdios dos quadrinhos no Brasil, entre os anos 30 e 40”, conta. 
Com tantos anos de experiência no colecionismo de quadrinhos, é natural que Ranieri tenha feito amigos no meio. “O colecionismo geralmente é o hobby de profissionais como médicos, advogados, professores, contadores, empresários... É interessante o perfil variado. Tenho muitos amigos no Brasil e em outros países. Aqui temos um grupo que se reúne todos os sábados do mês, que batizamos de Confraria do Gibi, temos até um presidente. Inclusive, ganhamos, em 2015 o Prêmio Angelo Agostini pela divulgação dos quadrinhos no Brasil”, comemora. 
Aos 33 anos, Miguel Carino é, desde jovem, um cara ligado ao universo da tecnologia, das animações e aos assuntos “geek”. Depois que abriu uma empresa de comunicação digital, passou a levar e trazer itens que curtia e se identificava para o ambiente de trabalho. Com o tempo, clientes e amigos começaram a presenteá-lo com bonecos. “Tenho bonecos de todas as escalas e diversos assuntos. E a maioria deles já é tida como parte integrante da decoração do escritório, e, impreterivelmente, é elogiada e notada por clientes e todos que visitam o espaço”, orgulha-se. 

Colecionando gibis desde a infância, Ranieri Andrade conquistou respeito e amizade entre colecionadores. Seu acervo tem mais de 60 mil exemplares

Foto: Arquivo pessoal
Para aumentar a coleção, Miguel compra os bonecos em lojas e grupos de discussão por todo o mundo. Em um a cabeça, em outro um braço, em outro alguns acessórios... E assim ele vai montando de acordo com as suas preferências pessoais. Desde que a empresa teve um cliente que era uma loja de bonecos, a escala um sexto (1/6) tem sido prioridade na coleção de Miguel.
“Por uma questão de memória afetiva, e por ter feito parte da minha vida, meus preferidos são Marty Mcfly (De Volta Para o Futuro), Mestre Yoda (Star Wars) e Bruce Lee, este último foi minha mais recente aquisição, veio direito da China, comprada com um fornecedor amigo que foi morar por lá e viver de vender e enviar bonecos para o Brasil. Este é um modelo que só tem 3.500 no mundo, uma edição comemorativa em homenagem aos 75 anos do Bruce Lee”, finaliza. 

domingo, 31 de janeiro de 2016

RA-TA-PLAN Revista Juvenil Ilustrada 1939!

Para quem não sabe a revista RA-TA-PLAN circulou no final dos anos 30 e durante a década de 40!
Era intitulada assim mesmo: RA-TA-PLAN Revista Juvenil Ilustrada!
Era uma revista com conotações políticas Integralistas, mas com forte dedicação aos quadrinhos!
Foi uma das primeiras  a contratar para seus quadros desenhistas brasileiros.
Em suas páginas além de personagens criados por brasileiros, havia publicações de comics americanos como Popeye, aqui chamado de Brocoió , mas que na verdade era uma cópia do personagem! Há uma história em uma das edições onde ele interage com a Caipora (personagem do nosso folclore). Ou seja era o Popeye desenhado por brasileiros em histórias inéditas!
É uma prato cheio para pesquisadores pois era costume dos desenhistas abreviarem seus nomes.
Alguns que assinavam com o nome: Acyndino ( assinava também Acindino), outros não F.C.O, MSL (outras vezes assinava M. Souza Leite). Tinha também o Mário F. Jacy, O Coutinho e outros desenhistas brasileiros!
Personagens: O AZ Ivan, Chico Ventania - O Corisco,Maria Moela,Proezas do Zico, Tareco, e algumas histórias com A Legião do Deserto, O Príncipe de Nassau, Em Mato Grosso e outras!
Abaixo algumas páginas das revistas para que conheçam a publicação!















































Escorpião! O Fantasma Brasileiro!

Na década de 60, auge do sucesso da revista o Fantasma no Brasil, surgiram vários personagens brasileiros, calcados no famoso herói de Lee Falk.
O Escorpião foi um deles!
O artigo do meu amigo Antônio Luiz Ribeiro para a o Guia dos Quadrinhos resume a curta trajetória do personagem!
"A primeira aparição do Escorpião não é muito precisa. Rodolfo Zalla afirma que o herói foi encomendado em 1965 pelo editor Heli de Lacerda ao desenhista Wilson Fernandes (ver “MeMo” 4, pág. 60). Mas , de acordo com o pesquisador Toni Rodrigues (do próprio “MeMo”), foi Manoel Cesar Cassoli quem pediu ao Fernandes a cópia do Fantasma, e não Heli. 
Segundo o expediente do número um da revista, seria em agosto de 1966. Mas é possível que o gibi tenha sido levado às bancas somente no ano seguinte.
Wilson Fernandes escreveu e desenhou os primeiros números do Escorpião. Obviamente deu problema com a King Features (detentora dos direitos do Fantasma), e a editora mudou ligeiramente o personagem no numero 3. Ainda assim, não foi suficiente para acalmar a distribuidora Apla, dita por Luis Rosemberg, e a concorrente RGE, que publicava o Fantasma, que ameaçaram processar a Taika por plágio. A historia do quarto número (1967) foi substituída às pressas por Rodolfo Zalla (desenhos) e Francisco de Assis (roteiros), com várias mudanças, tanto visuais como narrativas, mudando totalmente o personagem. Assim, o uniforme azul do Escorpião foi mudado e ele passou a ser uma espécie de guardião da floresta amazônica. E, de acordo com Rodrigues, a historia que ia sair no numero 4, desenhada por Eugenio Colonnese, foi publicada no numero 7, depois de retocarem e adaptarem o protagonista.
E a Apla e a RGE tinham razão. A base de operações do herói, por exemplo, ficava dentro da floresta e, assim como o “Fantasma”, era amigo dos índios locais e também se disfarçava como um homem comum, o sr. Nilson (uma variação do “Mr. Walker”). Como se não bastasse, deixava, ao socar os bandidos, a marca de um escorpião nos seus rostos. Para combater o crime e o perigo comunista, contava com vários apetrechos, como lancha, corda para escalar, faca, revólver etc. 
A revista “Escorpião” foi cancelada em 1968, após 10 números (segundo registros). Em seguida, a Taika lançou uma segunda série da “Escorpião”, que só durou duas edições. 
- Antônio Luiz Ribeiro."